Luthier
Fabricante de Gaitas -de-Fole
Bagpipes Maker
Brasil - Brazil


Alerta:
Gaitas-de-Fole "Baratas"



Conhecem aquele ditado popular: "o barato sai caro" ?

Em nossa oficina já apareceram, até o momento (Fevereiro de 2012) 39 gaitas-de-fole vindas de alguns países do Oriente.
Estas Gaitas-de-Fole foram vendidas para seus respectivos donos como genuínas Gaitas-de-Fole Escocesas do tipo GHB (Great Highland Bagpipe).

Muita
s pessoas, por inexperiência, acreditam estar fazendo um bom negócio ao comprar gaitas GHB por US$ 150.00 ou US$ 200.00 (dólares) em sites da internet de vendas do tipo leilão ou, no Brasil, por R$ 700,00 ou R$ 800,00.


Quando recebem o instrumento musical em mãos, têm a desagradável surpresa de constatarem que o mesmo não era muito bem o que eles (as) pensavam que fosse.

Nos procuram acreditando que o instrumento é bom, basta apenas um "jeitinho" aqui ou ali para tocá-lo.

Quando a Gaita-de-Fole chega à nossa oficina constatamos um absurdo seguido do outro. O mais comum é o "truque" da madeira ruim, que solta fiapos, pintada de preto para imitar a madeira blackwood africana. A desafinação é tosca ao extremo, palhetas ruins, fole que vaza ar, soprete (por onde o gaiteiro sopra o ar) onde a válvula simplesmente não funciona. Acabamento (torneado) irregular, cordal de má qualidade, etc.
A lista é tão grande que achamos mais fácil as imagens abaixo falarem por elas mesmas.

Muitas vezes não compensa reformar um instrumento
destes para que ele funcione 50%. Aí os compradores anunciam a Gaita em outro site do tipo leilão tentando passar o problema para outros que, por sua vez, compram e, depois, nos procuram novamente.

Uma Gaita-de-Fole que FUNCIONE:
leva em torno de 7 à 10 dias para ser construída. No entanto, o prazo é maior que este pois há o tempo em que a madeira é pré-torneada e pré-furada e, depois, o prazo de repouso desta madeira (cura da madeira) que pode levar de meses a anos.
O processo é artesanal e feito com esmero. Cada detalhe é observado cuidadosamente: a escolha da madeira ideal, seca há mais de 10 anos, o torneado, as medidas internas e externas, o polimento interno dos tubos, o envernizamento, os adornos, as palhetas, o fole estanque (que não vaza ar), etc.
Aliado à este processo artesanal de fabrico, está a tecnologia: alto investimento em tornos que proporcionam grande precisão na construção dos instrumentos, suporte informatizado que testa, um a um, a afinação de nota por nota de cada gaita que é feita em oficinas (obradouros) sérios, como o caso da nossa oficina.
Com tantos detalhes, um artesão que trabalha, sozinho, pode produzir de duas até, no máximo, três gaitas-de-fole em um mês.

Gaitas-de-Fole "Baratas"
Já as Gaitas-de-fole vindas de determinados países do Oriente são baratas por vários motivos. O mais comum é o regime de semi-escravidão. Alguns funcionários (em alguns casos que trabalham como semi-escravos) fazem, em ritmo de produção, determinadas partes do instrumento. Outros têm a função de montar tudo. E, assim, enviam para exportação, carentes de qualquer tipo de controle de qualidade. São produzidas, desta forma, dezenas de gaitas RUINS por semana, centenas por mês.

Portanto, se ainda achas que é um bom negócio comprar uma Gaita-de-Fole em torno de US$ 200.00 (dólares)
vai um alerta: "o barato, sai CARO !"


O segundo furo, da esquerda para a direita, teve de ser "MUITO" alargado para que se conseguisse atingir a afinação da nota desejada.
Detalhe do anelado metálico fosco de má qualidade, que não foi nem polido.

Nesta foto pode-se ver a cor verdadeira da madeira crespa e esfiapenta pois o resto foi pintado de preto. Outro detalhe é o furo passante de um lado a outro. Esta falha grotesca fazia com que o ar vazasse antes mesmo dele chegar ao fole.

Detalhe em branco: a "boquilha" do soprete feita em PVC. O dono viu-se obrigado à colocar uma adesivo à base de resina para conter o vazamento do soprete. Esta tentativa não foi bem-sucedida.

Era possível enfiar um dedo no furo do fole. Por ali vazava ar. O fole de couro, sem a vedação interna à base de gordura animal era mais um indicativo para o vazamento de ar. Foles assim estão caindo em desuso devido à manutenção feita com "caldo de pata-de-vaca" (mocotó). Outro "remendo" feito na tentativa de conter o vazamento pode ser visto acima, do lado direito, o detalhe em branco-amarelado foi resina que o dono do instrumento colocou.

Além destes detalhes acima, estavam as palhetas ruins, a buxa (stock) onde o soprete é encaixado que estava trincado por dentro, os cordais de fio de má qualidade, a desafinação dos drones (roncos que fazem o som de fundo para a melodia) e do chanter (ponteiro, oboé onde o músico toca a melodia), furação interna cheia de fiapos (furos não polidos).

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