Luthier
Fabricante de Gaitas -de-Fole
Bagpipes Maker
Brasil - Brazil


Mito ou Verdade ?

 

Esta página é reservada para publicar questões levantadas por gaiteiros, iniciantes e amantes da gaita-de-fole que conversaram com Luques ao longo destes anos.

Este espaço foi criado no intuito de esclarecer dúvidas acerca do funcionamento da gaita-de-fole, origens do instrumento, sua construção, a sua diversidade, afinação, etc.

Estas dúvidas ajudaram e ajudam no trabalho do luthier pois à partir delas o trabalho de pesquisa sobre o instrumento é ampliado.

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Acesse também a página "perguntas frequentes" e "Estudos Comparativos"


"A superioridade entre as gaitas-de-fole e suas técnicas de construção"

A questão sobre a qualidade técnica do instrumento já foi tema de discussão em foruns pela internet.
É necessário estabelecermos parâmetros para discutir o que exatamente é esta qualidade pois é comum
iniciantes e até mesmo gaiteiros experientes compararem gaitas galegas, phìobs escocesas e uilleann pipes
irlandesas dizendo que uma é superior à outra.
Isto é um engano visto que cada instrumento tem a sua peculiaridade.
Em relação às técnicas construtivas, cada luthier desenvolve as suas. Alguns com tornos mecânicos,
outros com tornos para madeira e ainda aqueles que fazem a gaita com os antigos tornos de pedal sem que a qualidade
final do produto seja afetada.


" As gaitas feitas de forma artesanal não têm qualidade".

Este é um tema discutido entre iniciantes e/ou curiosos.
Na maioria dos casos, pessoas que levantam estes temas conhecem pouco ou quase nada sobre o assunto.
Não trabalham na arte da lutheria e tecem comentários daquilo que supõem saber.

A qualidade está relacionada com o resultado final do produto e não com a forma como ele é feito. Há músicos
que preferem encomendar um instrumento feito à mão à comprar um que é feito de forma industrializada pois estes últimos, na maioria dos casos, são feitos por várias pessoas que não têm conhecimentos de lutheria: apenas são pagas para fazer um furo, lixar ou envernizar uma ou outra peça. Depois tais peças são montadas por outras pessoas que provavelmente também não possuem conhecimentos de lutheria.
Em suma: uma produção em série de um trabalho que "deveria" ser artístico.
 
"Torno Mecânico versus Torno para Madeira".

Outro mito criado é o do torno mecânico versus torno para madeira. Alguns acreditam ser o primeiro melhor que o segundo.
Ambos possuem vantagens e desvantagens. A perícia de quem os utiliza é que determinará o resultado final do produto.
Bernard Blanc, Leif Eriksson entre outros luthiers profissionais constroem seus instrumentos utilizando
tornos para madeira e o "velho" formão, o que na opinião de alguns (que não estão bem informados) não daria a qualidade suficiente por ser uma forma artesanal de lutheria.

Em muitos casos é justamente o artesanal melhor que o industrializado.
 
" Gaitas-de-Fole com características rurais "

Alguns acreditam que instrumentos musicais oriundos de regiões rurais não têm qualidade.
Devemos ter em mente que a gaita-de-fole originou-se justamente nas regiões rurais, visto que, segundo muitas pesquisas, a gaita-de-fole é de origem pastoril.
Para muitos musicólogos é um "crime" a padronização de determinado tipo de instrumento musical pois
é como se fosse um "homicídio" contra a originalidade do mesmo. Geralmente as pessoas que dizem que uma gaita-de-fole de características pastoris não é afinada estão pouco informadas sobre o assunto visto que existem vários tipos de afinações diferentes. Como exemplo, podemos citar as gaitas galegas feitas na própria Galiza (que é uma região rural): há tantos luthiers que fazem o instrumento que, se todos forem tocados em conjunto, haverá diferenças na afinação entre si.
Daí usa-se o antigo e "rudimentar" recurso, mas muito funcional, de diminuir um ou outro furo com o emprego de uma fita adesiva ou similares, para tocar um instrumento em conjunto com outro, recurso este empregado não só para as gaitas galegas e transmontanas como em GHB escocesas, Dzhura Gajda búlgaras, Cornemuse francesas, etc.
 
" Gaita Galega tem melhor afinação que a Transmontana "

Outro engano muito comum é o de comparar uma gaita galega com uma transmontana e achar que uma tem melhor afinação que a outra. São instrumentos diferentes, com características próprias. Seria o mesmo que compararmos uma viola com um violão ou com um cavaquinho só porque pertencem à família dos instrumentos musicais de corda.
 
" Comparação entre três Gaitas-de-Fole feitas por artesãos diferentes "

Uma experiência que Luques presenciou e que merece aqui ser citada: um gaiteiro que tocava gaita galega comparou o ponteiro de sua gaita- feita na Europa por um artesão conceituado- com um feito no Brasil. As duas afinavam-se entre si.
Mais tarde, a mesma experiência foi feita por um gaiteiro argentino. Este disse que os instrumentos não afinavam entre si. As opiniões divergiam.
Depois outra comparação foi feita utilizando três gaitas sendo que, duas delas feitas por dois artesãos conceituados na Galiza e uma feita por um luthier menos "famoso" também galego.
Resultado: a gaita dos dois luthiers conceituados não afinavam 100% entre si. A gaita do menos "famoso" afinava com uma feita por um luthier conceituado.

Isto mostra que não é o fato de uma gaita ser de origem européia feita por um luthier famoso que afinará melhor que uma outra feita por um artesão menos conceituado.

A verdade "dura e cruel" é que a gaita-de-fole é um instrumento de dificil afinação, assim como o violino.
 
" Madeiras brasileiras fazem com que a gaita-de-fole tenha afinação 'tosca' "

Este é outro mito muito comentado em comunidades na internet e círculos de gaiteiros e amantes do assunto.
O Brasil exporta madeiras. A Peroba e o Jacarandá da Bahia são exportados como ""brazilian rosewood", madeiras muito utilizadas no fabrico de gaitas-de-fole por luthiers da Europa. É verdade que as madeiras mais duras proporcionam maior estabilidade sonora do instrumento porque estas estão menos sujeitas à contração e dilatação em mudanças climáticas. E o Brasil tem madeiras duras, muito compactas como o ypê, peroba, espeteiro, abiurana, cumaru, jacarandá, jatobá, entre outras.

A afinação e a qualidade sonora está relacionada com o diâmetro dos furos, grau de conicidade, atrito do ar nas paredes internas, expessura das paredes externas, palhetas utilizadas, etc.
Uma experiência realizada por físicos franceses constatou que a qualidade sonora de um instrumento musical de sopro está relacionada com o "quão lisa a superfície interna do instrumento é". Por isso, para alguns uma gaita feita de plástico às vezes pode soar melhor que uma de madeira pois a primeira pode oferecer menos atrito na passagem interna do ar que a segunda. Mas isto é uma questão de gosto pessoal.
 
"Algumas gaitas não soam como uma 'Seivane' "

Assim como uma gaita feita por Antón Corral, de ótima qualidade, também não soa.
Se soasse, então uma seria a imitação da outra.
A preocupação de muitos luthiers na Europa é a de padronizar a gaita galega. Como dito anteriormente, isto não é visto com
bons olhos por muitos musicólogos pois acaba "massificando" uma cultura que pertence a toda uma sociedade para satisfazer os gostos de uma outra. A multiplicidade do instrumento extingue-se. É como se fosse uma "ditadura musical" onde determina-se qual gaita pode e qual não pode ser tocada. É a intolerância agindo de forma disfarçada.
As gaitas feitas por Seivane são de excelente qualidade, assim como a de vários outros luthiers espalhados não só pela Europa como pelo mundo.
Será que todos os violinistas tocam apenas Stradivarius ?
 
"Uma gaita brasileira não é afinada com a escala Ocidental "

Depende de que gaita estamos nos referindo. Uma säckpipa sueca, por exemplo, tem escala própria.

Se nos referimos à uma gaita galega moderna em Dó (feita na Galiza) esta é afinada da seguinte forma:
Si, Dó, Ré, Mi (um pouco agudo), Fá (um pouco grave), Sol, Lá, Si', Dó', além de outras notas na escala cromática.
As que Luques constrói seguem este modelo de afinação.

Mas temos que salientar que há outras afinações em diversos tipos de gaitas-de-fole na Europa Ocidental. Uma gaita transmontana, por exemplo, é eólica e possui acidentes em sua escala. E isto não faz dela um instrumento desafinado, mas com afinação própria. Algumas gaitas francesas e alemãs possuem também estes acidentes o que faz delas um instrumento com características próprias.
Portanto, quando falamos de afinação "ocidental" devemos especificar sobre qual instrumento nos referimos.
Se é de uma gaita galega "moderna", as brasileiras podem ser afinadas seguindo os padrões europeus. Basta ter um bom ouvido ou utilizar um afinador eletrônico para averiguar.


" A gaita escocesa soa melhor que uma galega e é mais bonita"

Depende, obviamente, do gosto de quem toca e/ou ouve o instrumento.
Soa melhor porquê ? É mais bonita porquê ? Qualquer que seja a resposta, sempre será a expressão de um gosto pessoal.

Há os que preferem a escocesa (GHB, pois existem outras na Escócia) por ser mais conhecida. Há os que preferem a galega
por ser de digitação aberta. Há os que acham a GHB mais bonita por causa da sua morfologia. Há outros que preferem a galega pois esta tem adornos próprios como franjas, pingentes, etc.

O som da GHB para alguns é "forte" demais; para outros agradável. O som de uma galega para alguns é mais doce que de uma GHB, para outros estridente.

Enfim, tudo é uma questão de gosto pessoal.
 
"A GHB escocesa tem o som mais potente que outras"

Isto é verdade. Uma phìob mhor escocesa tem a potência sonora de seus roncos (drones) mais forte que de muitas outras gaitas-de-fole.

Aí a pergunta: e daí ?

Quem ouve uma gaita galega, uma transmontana, uma asturiana, uma mittelalterliche ou uma schäferpfeife germânica, uma cornemuse du centre francesa, etc, perceberá que estas têm alta potência sonora também, podendo ser ouvida há grandes distâncias, assim como uma phiòb mhor (GHB).
A GHB não pode ser considerada "a mais potente das gaitas" como se isto fosse sinônimo de "superioridade" em relação às demais mesmo porque uma mittelalterliche germânica moderna tem potência sonora similar.

A potência sonora não tem relação alguma com qualidade do som de determinado instrumento. É o gosto pessoal que determina qual é melhor para os ouvidos de quem aprecia a melodia. A uilleann pipe é um instrumento de potência sonora menor que muitas outras gaitas-de-fole e é a mais complexa de se tocar tendo um magnífico som.
 
"A GHB escocesa foi o primeiro tipo de gaita-de-fole criada, sendo as outras
imitações ou apenas brinquedos para adornarem paredes"


Tal visão preconceituosa e desinformada não deveria ser digna de comentários. Mas como este espaço foi criado
para compartilhar informações faremos, então, alguns esclarecimentos breves.

A antiguidade do instrumento e a sua diversidade é tão grande que sua origem é indeterminada. No entanto, há registros históricos do instrumento em outros países num período anterior aos registrados na Escócia.

Sobre o fato de comentários de que os demais tipos de gaitas-de-fole diferentes da GHB escocesa são meros brinquedos, quem os tece assina, de próprio punho, o atestado de preconceito, prepotência e intolerância.


A diversidade é que faz a riqueza das culturas.

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