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Gaitas de Portugal e Espanha: "sons árabes"

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Quando eu ensaiava junto com amigos do Nordeste do Brasil para um show com o gaiteiro internacional Carlos Núñez, toquei minha gaita transmontana.

Esta mesma gaita encantou Carlos Núñez quando nos encontramos pela primeira vez, na época em que ele gravava o álbum "Alborada do Brasil" que faz um paralelo entre a música "celta" (assim chamada nos dias atuais pela indústria fonográfica) e a música brasileira.

Quando toquei a gaita transmontana um dos rapazes espantou-se com a escala em modo eólio e a similiridade tímbrica com os "sons árabes". Nos momentos em que toquei a gaita galega (Galiza, Espanha e Minho, Portugal) foram muitos os que disseram "parece um instrumento árabe". Curioso é que a região de Trás-os-Montes em Portugal fica localizada ao norte do país, fazendo fronteira com as regiões de Sanábria e parte da Galiza, ambas regiões espanholas.

Sabemos, pelo que a história nos conta, que estas regiões não foram invadidas pelo mouros quando ocuparam a Península Ibérica por muitos séculos.

Mas devemos levar em consideração que as migrações entre os que viviam entre o Norte e o Sul não devia ser algo tão incomum. Uma vez, quando conversava com Carlos Núñez, no momento da gravação do álbum "Alborada do Brasil", ouvi algumas músicas com as "cantadeiras". Ele me disse que a influência árabe no modo delas cantarem é bem evidente.
O adufe tocado no norte português, que é um pandeiro quadrado, é justamente de origem árabe (Al douf ou Duf). E ele é tocado exclusivamente por mulheres que cantam enquanto o tocam. Ora, e o tocam de forma muito similar às pessoas do Sul da península que tem influência mourisca mais evidente.


Adufe
imagem do site: www.nunocristo.com


Um instrumento musical de percussão de origem árabe pode ser tocado no norte da Península Ibérica mas um instrumento de sopro também de origem árabe não o pode?

Um detalhe muito interessante são as Cantigas de Santa Maria, feitas por Dom Alfonso X, o sábio. Alguns dizem que ele recebeu este título por conseguir unir as culturas do Norte e do Sul da Península. Ainda segundo Carlos Núñez, ele (Alfonso) foi bem sucedido neste sentido pois a música do Sul era em sua maioria atrelada aos instrumentos de corda e a do Norte à instrumentos musicais de sopro, inclusive a gaita-de-fole.


Mouro e Europeu tocando o que, provavelmente, sejam alaúdes.

Esta "união" de culturas é evidente nas pinturas atribuidas ao próprio rei Alfonso X, onde vemos figuras de árabes tocando alaúdes e gaitas-de-fole sendo tocadas por pessoas de origem caucasiana, com cabelos e pele clara.


Ainda é possível ver figuras de gaiteiros tocando gaitas com chifres nas extremidades. Tais gaitas são muito comuns, também, em Marrocos e Tunísia, paises árabes, ainda nos dias atuais. Neste caso foi o inverso: uma gaita-de-fole tocada no Sul, de uma "provável" origem moura.


Odrecillo - gaita-de-fole com chifre, similar às gaitas-de-fole Mezoued e Zukra tocadas na Tunísia, Marrocos e outros países do Norte Africano de origem árabe.



Sim, as gaitas da península tem um "som árabe", segundo a opinião da maioria das pessoas que as ouvem pela primeira vez. Não podemos dizer, contudo, que o instrumento é de origem mourisca ou, como muitos crêem, de origem celta.

Mas que as duas culturas foram se mesclando ao longo do tempo, quer pelas invasões, quer pelas migrações, é algo que pode ser discutido, e não descartado, como uma possibilidade.


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